Uma resposta à música “A lista” de Oswaldo Montenegro

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Em um mergulho pelos dias que se foram, tracei um mapa dos meus grandes amigos, cujos sorrisos não vislumbro há uma década ou mais. Alguns, há quase uma eternidade. Nessa longa e astuciosa jornada do tempo, questiono-me se foram eles que se perderam em mim, ou se fui eu quem me desgarrei deles.

Logo depois, desvendei os segredos guardados nos cofres dos meus sonhos de infância. Muitos sucumbiram ao peso dos anos, enquanto outros, contra todas as probabilidades, ganharam vida. Será que o que realizei supera o que sonhei? Ou a realidade é apenas um sonho disfarçado?

Ao revirar as páginas empoeiradas de um álbum de família, redescobri reflexos variados de minha própria jornada, cada capítulo uma narrativa única entre tantas já vividas. Ao encarar meu reflexo no espelho, percebi que o auto-re-conhecimento é uma das tarefas mais desafiadoras que nos é dada. A semelhança com as imagens do álbum diminuiram, enquanto minha identidade se espelha cada vez mais na figura refletida diante de mim.

Sonhos precisaram ser abandonados, mas realizações brotaram inesperadamente no jardim da vida. Navegar por esse mistério chamado existência é como tentar decifrar enigmas ocultos, escondidos nas sombras de nossas almas.

Segredos de infância foram, em algum momento, tesouros guardados em cofres enferrujados, esperando um olhar curioso para desvendá-los. Mas ninguém está interessado…passou

A mentira, outrora condenada, às vezes se transforma em uma arma de sobrevivencia.

Cortei pedaços de mim para me encaixar em padrões pré-estabelecidos, apenas para descobrir que eram esses fragmentos que me tornavam única. Hoje, sou uma tapeçaria de defeitos, cada fio tecendo a história da minha força. Não nasci para caber em padrões…

Canções de infância ecoam em corredores vazios da memória, enquanto novas melodias emergem das cicatrizes do tempo. Porque, afinal, até mesmo a dor tem sua própria canção.

Quantos rostos passaram por mim, borrados pelo vendaval da vida, enquanto outros permanecem gravados em minha alma como constelações eternas?

Cada um de nós, traz muitas histórias entrelaçadas, são esses os fios de um tear que moldam, meticulosamento, o nosso devir.

Foto por Pixabay em Pexels.com

Para ouvir a música que inspirou o texto, clique aqui.

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