
Na década de 1960, o Brasil passava por grandes transformações sociais e políticas. O país estava sob o regime militar, que começou em 1964 e durou até 1985. Esse período foi marcado por repressão política, censura e um clima de medo e perseguição. A vida social era bastante vibrante nas grandes cidades, especialmente no Rio de Janeiro, que era a capital federal até 1960, quando Brasília foi inaugurada. A cultura, a música e a moda eram influenciadas por movimentos internacionais, mas também havia um forte sentimento de nacionalismo e identidade cultural brasileira.
Dana Edita Fischerova, mais conhecida como Dana de Teffé, foi uma socialite tcheca que viveu no Brasil e ficou famosa por seu misterioso desaparecimento nos anos 1960. A história de Dana é repleta de reviravoltas e tragédias, culminando em um dos casos criminais mais intrigantes do país.
Contexto Histórico
Dana era de uma família judia muito rica de Praga. Por conta de uma vida privilegiada, nunca precisou trabalhar e vivia muito bem amparada graças a riqueza de família. Sempre frequentou a alta sociedade europeia o que lhe rendeu três casamentos: o primeiro com um militar italiano chamado Ettore Muti; o segundo com um famoso dentista espanhol chamado Alberto Diaz de Lopes Díaz; o terceiro casamento aconteceu com um jornalista mexicano chamado Carlos Denegri; por fim, o quarto e ultimo casamento foi com um brasileiro, o piloto e diplomata brasileiro Manuel de Teffé.
Rumores que antecederam a tragédia
Dana estava em processo de separação de Manuel quando contratou um advogado de reputação duvidosa. Nesse momento, começaram a circular especulações de que ele poderia ser seu amante de antes da separação. Leopoldo Heitor, conhecido como o “advogado do Diabo” devido às suas acusações de peculato e estelionato, ganhou notoriedade pelo infame Crime de Socopã (leia mais aqui). Em busca de atenção midiática, Leopoldo apresentou uma testemunha possivelmente falsa, prejudicando o andamento das investigações que estavam prestes a identificar o possível assassino.

Desapareceu
A ultima vez em que Dana de Teffé foi vista foi na noite do dia 29 de Junho de 1962. De acordo com o testemunho de sua amiga Maria Elisa Tuccimei, Dana havia entrado no carro de Leopoldo para irem à São Paulo. Depois disso, Dana nunca mais foi vista e o Leopoldo tornou-se o principal suspeito pelo seu desaparecimento.
Versões contadas
A primeira versão contada por Leopoldo sobre o desaparecimento de Dana foi a seguinte: segundo ele, ao chegarem em São Paulo entre os dias 29 e 30 de junho, estavam em um restaurante quando Dana foi abordada por um desconhecido que falava em outro idioma. O estranho parecia informar que a mãe de Dana estava gravemente doente e havia sido internada em um asilo na Tchecoslováquia. Essa notícia teria levado Dana a decidir-se rapidamente a viajar para Praga, deixando tudo para trás.
A segunda versão contada por Leopoldo foi a seguinte: segundo ele, ainda na estrada rumo a São Paulo, ele e Dana foram assaltados. Durante a troca de tiros com o assaltante, Dana foi baleada e morreu a caminho do hospital. Leopoldo acrescenta que, com receio de ser acusado pelo assassinato, pediu a um amigo para enterrar o corpo de Dana. Quando questionado sobre o local do enterro, Leopoldo afirmou que apenas o amigo, cujo nome ele se recusou a revelar, sabia o local exato.
A Terceira versão contada por Leopoldo e mantida inclusive na defesa em tribunal foi: Dana foi sequestrada por grupos nazistas e/ou comunistas tcheco e certamente não se encontrava mais em solo brasileiro.
O Julgamento
O inquérito tinha impressionantes 917 páginas, e o Ministério Público buscava provar que Dana havia sido assassinada no sítio de Leopoldo, em Rio Claro. Posteriormente, o advogado teria desaparecido com o corpo da vítima – esquartejado e jogado no rio, segundo algumas hipóteses – para se apropriar dos seus bens. O que reforça ainda mais essa hipótese foi o fato de que Leopoldo apresentou uma procuração, logo depois do desaparecimento de sua cliente, onde Dana dava-lhe total direito de comercializar e/ou alugar seus imóveis e administrar todos os seus bens. Com essa procuração, Leopoldo e toda sua família se muda para um apartamento de alto padrão, o Edifício Marcília, em Botafogo, pertencente à Dana.
Leopoldo foi condenado, mas conseguiu fugir da prisão e só foi recapturado anos depois. A condenação do primeiro julgamento foi anulada, e em um segundo julgamento, ele foi absolvido. O motivo foi a falta do corpo: sem corpo, sem evidência, sem crime. Com essa alegação, Leopoldo ficou livre, e o corpo de Danianunca foi encontrado.