Rivalidade Feminina em Renascer: uma narrativa ultrapassada, ultrajante e vazia.

Estamos cansadas(os) de saber que, as novelas são uma forma popular de entretenimento no Brasil e em muitos outros países, mas frequentemente carregam uma série de estereótipos e narrativas que reforçam valores problemáticos. Um exemplo particularmente nocivo é a trama recorrente que coloca mulheres em conflito umas com as outras por causa de homens. Este clichê não apenas perpetua uma visão reducionista e competitiva das relações femininas, mas também sustenta um discurso machista e retrógrado.

E mais uma vez, fomos obrigadas a assistir mais uma dessas cenas pobres, cuja narrativa já não se sustenta mais. Na novela “Renascer”, capítulo do dia 16 de Maio/24, houve uma briga entre Eliana (interpretada por Sophie Charlotte) e Ritinha (interpretada por Mell Muzzillo). Tudo isso porque Eliana e Damião (interpretado por Xamã) vivem um romance proibido, já que ele é casado com Ritinha. O detalhe que chama atenção e revolta é que o homem não sofre nenhuma consequência por sua traição, mesmo sendo ele o casado. Mais uma vez, vemos duas mulheres fortes e belas brigando pelo amor de um homem bruto, infiel e moralmente duvidoso. 

Me pergunto se falta imaginação e criatividade ao roteirista para renovar o remake do início da década de 90 ou simplesmente as pessoas gostam de ver tamanha pobreza na TV brasileira. 

Se você leu até aqui e continua considerando o texto um mimimi, te desafio a continuar a leitura onde apresento devidamente os  argumentos que reforçam minhas afirmações anteriores:

Reforço de Estereótipos

Ao apresentar mulheres em constante competição por um homem, as novelas contribuem para a perpetuação do estereótipo de que o valor de uma mulher está diretamente ligado à sua capacidade de atrair e manter um parceiro masculino. Esta narrativa simplifica e desvaloriza a complexidade das personagens femininas, reduzindo-as a rivais sem outras aspirações ou características definidoras além de seu interesse amoroso.

Rivalidade Feminina e Solidariedade

A rivalidade entre mulheres, frequentemente explorada nessas tramas, contrasta fortemente com a realidade da solidariedade e do apoio mútuo que muitas mulheres experimentam em suas vidas. Em vez de destacar a colaboração e o fortalecimento mútuo, essas novelas insistem em mostrar mulheres se atacando, promovendo a ideia de que elas são naturalmente competitivas e incapazes de formar laços genuínos. Isso não só distorce a realidade, mas também impede avanços sociais em direção a uma maior união feminina.

Visão Patriarcal do Amor

Além disso, essa insistência na rivalidade feminina motivadas por homens, reflete uma visão patriarcal do amor e das relações, onde o homem é visto como um prêmio a ser conquistado. As novelas, assim, mais uma vez reforçam a ideia de que a vida das mulheres gira em torno de homens, desconsiderando suas próprias ambições, carreiras e realizações. Esta visão limitada é prejudicial tanto para as mulheres quanto para a sociedade como um todo, perpetuando uma dinâmica de poder desigual.

Impacto Social

O impacto dessas narrativas não deve ser subestimado. As novelas têm um alcance significativo e são consumidas por milhões de espectadores, influenciando percepções e comportamentos. Ao perpetuar esses estereótipos, elas contribuem para a manutenção de uma cultura machista que desvaloriza as mulheres e seus papéis na sociedade. Jovens mulheres que crescem assistindo a essas novelas podem internalizar essas mensagens, acreditando que sua principal rivalidade será com outras mulheres e que seu principal objetivo na vida é encontrar um homem.

Necessidade de Mudança

Para promover uma mudança real, é essencial que roteiristas e produtores de novelas adotem uma abordagem mais crítica e consciente ao desenvolver suas histórias. Mulheres podem ser retratadas em uma diversidade de papéis que reflitam suas vidas reais, incluindo amizades fortes, carreiras bem-sucedidas, e lutas por justiça e igualdade. Essas representações não apenas proporcionariam uma visão mais rica e realista da vida feminina, mas também ajudariam a desmantelar as estruturas machistas que continuam a influenciar a sociedade.

E aí, te convenci? Se sim, ótimo! A ideia do blog é promover essa discussão. Se não, aguardo ansiosa por argumentos contrários. 

Até a próxima! 

Di Fraga.